Neste século XXI a vida das pessoas tem se caracterizado por correria constante, sobrecarga de trabalhos e atividades, falta de tempo, entre outros aspectos. Isso tudo tem acarretado pessoas estressadas, esgotadas física e emocionalmente, além de falta de convívio e diálogo em família e com amigos, distanciamento entre as pessoas e falta de afetividade.
Mas uma questão deve ser feita e refletida a partir deste cenário contemporâneo: afinal, somos vítimas ou responsáveis por toda essa realidade? Penso que é necessário avaliarmos o quanto também contribuímos para que falte esse contato saudável e afetivo entre pessoas, em especial entre familiares. E muito dessa contribuição que fazemos para nos distanciarmos das pessoas está no poder concedido às tecnologias. Aí, o que era para ser um benefício ou um facilitador, pode se tornar um verdadeiro inimigo.
A primeira referência que se pode fazer é à televisão, que muitas vezes pode unir famílias, mas, se não for devidamente utilizada, pode distanciá-las. Quantas vezes as pessoas se prendem em programas que nada acrescentam ao crescimento pessoal ou aquisição de cultura e deixam de conversar ou dividir suas vidas? Nesse caso, a televisão deixa de ser algo positivo e se torna um inimigo das famílias.
Da mesma forma, pode-se mencionar outras ferramentas tecnológicas que, se mal utilizadas, contribuem para o afastamento das pessoas, tais como o computador ( e com ele a Internet), os videogames, e até mesmo os celulares. Constatam-se mais e mais crianças e adolescentes “plugados” em computadores, videogames, celulares e televisões, deixando de lado as tarefas escolares ou mesmo atividades em casa, nas quais poderiam ajudar os pais, para passarem grande parte de seu tempo focados em telas, as quais podem não beneficiar em nada este filho, e, ao contrário, podem prejudicá-lo. E os pais podem não conseguir prestar a atenção ao que os filhos estão fazendo, pois, assim como eles, estão conectados aos meios de comunicação, mas desconectados aos seus próprios filhos.
É conveniente destacar que o problema não está na existência de toda esta tecnologia que nos cerca, visto que elas são importantes e podem nos trazer vários benefícios. Contudo, podem se tornar inimigos na medida em que são mal utilizados, seja por acesso a informações que nada acrescentem ou pelo uso excessivo. É preciso reconhecer que compete às pessoas (e no caso das crianças e adolescentes, os pais orientarem) o uso dosado e criterioso destes recursos tecnológicos, a fim de que os mesmo tornam-se aliados e não distanciem famílias.